Olá amigos! A postagem de hoje tem um intuito de compartilhar experiências com vocês, do que propor algum tipo de discussão ou conhecimento. Essa semana, mais precisamente nos dias 17 e 18 de Maio de 2016, tive o enorme prazer de participar de um evento incrível da música Coral. O Coral Vozes Paulistanas, o qual faço parte, executou a magnífica Missa da Coroação K. 317 de W. A. Mozart (1756 - 1791), contando com a Orquestra Jovem de São Caetano, Regência de Geraldo Olivieri e do coro alemão "Neuer Kammerchor", da cidade de Heindenheim.
Na terça feira (17) realizamos um ensaio que, na verdade, tinha mais uma função de integrar os dois grupos. Foi incrível recebê-los ao som da musica "Boi Bumbá" e ver os rostos entusiasmados com nossas boas-vindas. Os diálogos em inglês, a interação em cima do palco e a disposição deles em fazer o melhor para nós, foram os pontos que mais me marcaram nesse dia. O coro é jovem, eles têm entre 18 e 25 anos. Adoram música popular e nos agraciaram apresentando duas peças que envolvem movimentos corporais e até cênicos. Voltando ao nosso programa oficial, dava para perceber que não era a "praia" deles este tipo de repertório, por isso impostavam e projetavam pouco as vozes, no entanto, nosso grupo tentava equilibrar esse quesito a cada parte da missa. A apresentação do dia 18, contou com 6 peças executadas por eles, apenas e, em seguida, nos unimos para a Missa da Coroação. É magnífico o poder de universalização da música, bastou o maestro delimitar o primeiro compasso e o grupo soar o primeiro acorde, que já me senti num coro único, uma enorme massa sonora, como se fôssemos todos a uma só voz. O latim não era problema para eles, apesar de algumas diferenças de dicção que foram instruções do regente deles.
parte do "Neuer Kammerchor"
Enfim, foi uma experiência incrível. Digo que todos, músicos e não músicos, devem adentrar um Coral e cantar, trocar informações e experiências, pois um país com tanta carência no ramo cultural, nos força a buscar outras saídas. Isso enriquece o ser humano, estimula o social e nos faz sentir mais próximos de uma definição real de humanidade.
Página do nosso Coral, para mais vídeos, fotos e informações:
As Claves ( em latim, "chave") são símbolos que determinam as alturas fixas do pentagrama a partir do ponto em que aparecem. As mais usuais são as claves de Sol, Fá e de Dó, que, respectivamente, determinam sons acima do dó central, abaixo e o fixa
dentro pentagrama.
A utilidade das claves não há de ser discutida, sendo que usamos a de Sol para instrumentos agudos, a de Fá para os graves e a de Dó para os médios. Mas esses símbolos tão característicos para os músicos - e não-músicos - surgiram assim prontinhos ? Não! As claves passaram por uma grande transformação, mas para entende-la é necessário um prévio esclarecimento sobre as notas musicais.
Guido D'Arezzo (992 - 1050)
Os povos denominados Anglo-Saxônicos ( Antigos Germânicos) formados pela Inglaterra, Alemanha e Países baixos, usam uma escrita/fala diferente da nossa para notas musicais. Eles se referem à elas pelas letras dos Alfabetos - A; B; C; D; E...- e falam (solfejam) usando a dicção de suas letras mesmo. Graças a Guido D'Arezzo (992 - 1050), os países de origem Ibérica (Portugal, Espanha, Itália) receberam uma nomenclatura específica para cada nota musical - Dó, Ré, Mi ... - como uma forma de melhorar a prática de solfejo (esse assunto merecerá uma postagem onde vamos destrinchar esse tratado de D'Arezzo). Portanto a nossa clave de Sol surge como uma letra G, a de Fá como uma letra F e a de Dó como uma letra C. A partir de então, a evolução da escrita toma a frente transmutando as simples letras nos símbolos que muitos braços, pernas e qualquer outra parte do corpo, carregam uma tatuagem demonstrando o amor pela Música! Obrigado e até a próxima!
"Como poderia confessar a deficiência de um sentido que em mim deveria ser mais perfeito do que nos outros, de um sentido que outrora possuí em sua mais alta perfeição, uma perfeição que poucos músicos já tiveram?" (Testamento de Heiligenstadt, 1802)
Com esse trecho do testamento de Beethoven que dou partida nessa postagem cheia de emoções. Nesse documento em que o compositor expõe toda a sua angustia pela surdez em evolução e seu sofrimento perante as convenções da sociedade, ele não imaginara que viveria mais 25 anos e escreveria obras tocadas até hoje. Como se sentiria um músico\compositor que começa a ter sinais de surdez aos 25 anos ? Como se sentiria um pintor que ficasse cego ? Como se sentiria qualquer artista que fosse barrado de "sentir", pelo maior canal, a sua arte? Não tenho resposta, mas Beethoven expressara tudo isso em sua música e hoje vamos escutar, apreciar e entender um pouco sobre a Sonata para Piano Op. 27 Nº2, mais conhecida como: SONATA AO LUAR. Vamos começar pelos termos técnicos para aqueles não habituados. "Op." significa Opus ( Obra ). Serve como padrão de catálogo cronológico. Op. 1 - seria a primeira obra catalogada - Op. 2 a segunda e assim por diante. Lembrando que o catálogo é sempre feito por uma terceira pessoa e às vezes essa pessoa o auto-intitula, como é o caso das obras de Mozart que são catalogadas por Köechel e recebem a letra "K" antes do número: K.545. O Compositor, por ventura, pode compor uma série de obras na sequência e isso acaba sendo embutido num Opus só e separado por números. Exemplo: Op.2 Nº 3, Significa que é a segunda obra catalogada e a terceira da série composta, por isso o numero 3.
Voltando a nossa linda obra, ela foi composta em 1801, dedicada a aristocrata Giulietta Guicciardi. Beethoven lecionava piano a donzela e ela conquista seu coração, porém ele se vê distante de um possível casamento pois a família da moça preza por homens influentes e não músicos pobres. Por fim, Beethoven sofre por amor e sofre pela patologia que o ataca. O título "Ao Luar" fora dado após a sua morte, por algum crítico que disse ter remetido a imagem de um lago refletindo a luz da lua ao escutar a sonata, e com isso ela ganha o apelido.
(Giulietta Guicciardi)
Para falar um pouco da forma da peça, temos uma sonata em 3 movimentos muito originais. O primeiro movimento lento, que é raro em uma sonata, retrata todo o sentimento do compositor e carrega o peso da fama desta obra, o que muitas vezes embaça o seu significado. No seu segundo movimento, temos uma atmosfera completamente diferente, mais vivo e brilhante, e alguns autores sugerem que ele expressa a personalidade de Giullieta. O terceiro movimento é arrebatador! Construido na forma sonata, ele expande as tercinas do primeiro movimento de tal forma como o coração de Beethoven estava sendo rasgado naquele momento de sua vida.
É importante analisar as obras desse período de transição, e do Romantismo, com um alto grau de individualidade. É necessário retirar da vida, e influências, do compositor qualquer vestígio que nos leve a entender o porquê de tal novidade ou mudança. Beethoven certamente é o maior exemplo de turbilhão de sentimentos implodidos na música. Boa Escuta!
Se fossemos fazer um apanhado histórico-biográfico dessa figura da música Barroca, já teriamos conteúdo suficiente para um post bem recheado e curioso, porém, o foco hoje será a série de concertos "As Quatro Estações"
O QUE SÃO "AS QUATRO ESTAÇÕES" ?
Sinfonias? Òperas? Danças? Não. São um conjunto de concertos para Violino e Orquestra, quatro na verdade, que foram nomeadas de acordo com as estações do ano : Primavera, Verão, Outono e Inverno. São escritas em 3 movimentos cada uma, típico do gênero Concerto, e vem acompanhadas de um programa. Sim, uma música programática já em 1725! Vamos nos aprofundar isso!
COMO ASSIM PODE-SE DIZER EM MÚSICA PROGRAMÁTICA ?
Para quem tem dúvidas, música programática é aquele que segue um programa extra-musical, seja ele um quadro, um poema, uma história ou algo que entrelace com a música. Esse tipo de composição foi difundida no final do Classicismo, Século XIX, porém já encontramos indícios aqui com Vivaldi. As partituras do primeiro violino são acompanhadas de sonetos, cujo escritor se desconhece, mas existem especulações de ser o próprio Vivaldi. Os versos ajudam a criar uma imagem da composição em nossas mentes e é perceptível quando o violino solista tende a imitar o canto dos pássaros ou a vinda de uma tempestade. A seguir está o oringinal e a tradução dos versos do primeiro concerto: A Primavera.
Soneto
La Primavera
A Primavera
Giunt’è la Primavera e festosetti
La salutan gl’augei con lieto canto,
E i fonti allo spirar de’Zeffiretti
Con dolce mormorio scorrono intanto:
Chegada é a Primavera e festejando
A saúdam os pássaros com alegre canto,
E as fontes ao expirar dos Zéfiros (*)
Com doce murmúrio correm entanto:
Vengon’ coprendo l’aer di nero amanto
E lampi, e tuoni ad annuntiarla eletti
Indi tacendo questi, gl’augelletti;
Tornan’ di nuovo al lor canoro incanto:
Vem [um temporal] cobrindo o ar com negro manto
E relâmpagos e trovões eleitos a anunciá-la
Logo que eles se calam, os passarinhos
Tornam de novo ao sonoro encanto.
E quindi sul fiorito ameno prato
Al caro mormorio di fronde e piante
Dorme’l caprar col fido can’ à lato.
Então sobre o florido e ameno prado,
Ao caro murmúrio das folhas e plantas
Dorme o pastor com fiel cão ao lado.
Di pastoral zampogna al suon festante
Danzan ninfe e pastor nel tetto amato
Di primavera all’apparir brillante.
Da pastoral gaita de foles ao som festejante,
Dançam ninfas e pastores sob o abrigo amado
Da primavera surgindo brilhante.
(*) Zéfiro, na mitologia grega, é o vento do oeste. É o mais suave dos ventos e é considerado o “mensageiro da primavera”. Zeffiretti, no italiano, é o plural e diminutivo de Zéfiro, algo como Zefirinhos… ou seja, a mais leve das brisas.
Além disso, As Quatro Estações foram escritas para serem tocadas durante a exposição de 4 quadros que retratam a natureza dessas épocas do ano. Esses quadros encontram-se, hoje em dia, em posse de uma família, sendo que um deles fora perdido. (Impossível encontrar fotografias na internet) Tudo isso coloca esse conjunto de concertos na categoria de música Programática.
SOBRE A FAMA DOS CONCERTOS.
A Primavera foi sucesso imediato, sendo tocada pela corte francesa mesmo após a morte de Vivaldi e ainda hoje, "As Quatro Estações'', permanece como uma das obras mais gravadas e reproduzidas. Com certeza vocês ja ouviram trechos em casamentos, comerciais, programas de TV e etc. Só nos resta contemplar essa obra de arte! Até a próxima!
Hoje em dia o termo concerto é usado para qualquer atividade de música
erudita que é apresentada ao público por orquestras ou grupos de
camara, independente de sua formação ou gênero.
"Fui a um concerto
semana passada";
" Vamos assistir a um concerto neste final de semana?
"
Ok, mas vamos assistir a um concerto ou um Concerto? Concerto é um gênero
musical que tem como principal característica o duelo elegante entre a
orquestra e o solista, ou grupo de solistas. A palavra é herdada do
verbo concertare, que em italiano significa embate. Esse duelo é
realizado de forma a enfatizar o tutti (todos) ou o solo, com passagens
e temas virtuosísticos para o solista e o peso, imponência e graça da
orquestra, resultando num dos mais emocionantes gêneros da música
erudita. O termo foi modernamente adotado para aquele ritual de assistir
uma apresentação de música erudita: todos em silêncio, entrada do
maestro, palmas apenas no fim e não entre movimentos.
Concerto para Piano Nº 21 em Dó Maior. K.467 - W. A. Mozart
Algo muito
parecido acontece com o termo "música clássica". Certa vez, li uma
passagem que diferenciava o clássico do Clássico. Hoje se diz música
clássica pra qualquer música de concerto, música antiga ou que siga esse ritual
tradicional da música erudita e a essa finalidade damos o nome de música
clássica. Mas não podemos nos esquecer que na história da música temos
um período histórico chamado de Classicismo, ou período Clássico, que
carrega consigo caracteristicas como: simetria da forma, a
simplificação da melodia e tratamento dos ornamentos (em contradição ao
Barroco todo ornamentado), além de outros aspectos sociais como o
iluminismo e a visão do homem perante a natureza. Período esse onde se
firmaram os gêneros como a Sinfonia e as Sonatas, embutidas com a forma
sonata. É datado em 1750 até 1810, envolvendo compositores como W. A.
Mozart ( 1756 - 1791 ), J. Haydn ( 1732 - 1809 ) e a primeira fase da
vida de Beethoven (1770 - 1827). Além desse período, a musica é
demarcada por outros como: Renascimento, Barroco e Romantismo. Por
isso, é importante lembrar se estamos falando de música clássica - de classe, oposição moderna a música popular - ou da
música do período Clássico.
Exemplo de música clássica, mas não Clássica. As Quatro Estações de Antonio Vivaldi ( 1678 - 1741 ), onde se encontram 4 concertos para violino, iniciando pelo belíssimo "Primavera", é uma obra do período Barroco.
Linha do tempo para os Períodos Musicais do Ocidente:
Nesse post sobre
história da música, vamos retratar três grandes compositores do
período Classico: Haydn, Mozart e Beethoven. Além de descobrirmos
um pouco sobre a carreira musical de cada um desses ícones, vamos
também traçar paralelos e ligações entre eles. Existiu um
encontro musical entre Mozart e Beethoven ? Qual a relação de Haydn
e esses dois “garotos” ? Vamos começar falando do mais velho
entre os três, Franz Joseph Haydn.
F. J. HAYDN ( 1732 –
1809 )
Foi o último
compositor eminente que viveu a serviço de um nobre, o principe da família
Eszterházy, onde trabalhou durante toda a vida composicional com a
obrigação de satisfazer as necessidades musicais dessa rica e
poderosa família. Haydn nasce na Aústria e com 8 anos de idade começa
a cantar no coro da Capela Imperial. Fica até os 17 anos onde é
expulso sob uma acusação no mínimo interessante: que ele teria
cortado o rabo-de-cavalo de um colega sob a alegação que ele o
perturbava. Isso foi suficiente para ele ser demitido, ainda
que sua voz já não fosse mais a mesma.
Haydn teve amizades
importantes com aristocratas da época e ele era um homem de
negócios, sempre mais focado nas questões práticas da vida e na
gestão de seus assuntos extra-musicais, o que vem a ser o maior
problema da vida de Mozart. Joseph foi professor de Mozart e
Beethoven, sendo que com o primeiro acabou construindo uma amizade
genuína e de confiança que perdurou até o fim de sua vida. Já
Beethoven, que tinha um gênio rude e não aceitava influências,
acabou dizendo posteriormente: “pensei que Haydn me ensinaria algo,
mas nunca aprendi nada com ele”
Haydn vai para
Londres em 1791 e em 1794, onde lá compõe doze sinfonias que o
colocam finalmente num grau de conhecimento acima do que teria
conquistado em toda sua vida. A cidade o acolheu e adorou seu
trabalho. Haydn aproveitara da experiencia de 29 anos trabalhando
como compositor de uma família e obtem seu sucesso na Inglaterra,
além do seu título de doutor em Música pela Universidade de Oxford
em 1791.
O Hino
Nacional da Aústria também foi escrito por ele! Uma junção do segundo movimento do
Quarteto de cordas Op. 76 Nº3 ( O Imperador ) e um texto de Leopold
Horschten acabaram por ser definidos como Hino da nação. Foi
cantado na entrada do imperador no Vienna`s Burgtheater em 1797 e
aceito pelo povo.
Para citar uma obra
coral muito famosa: A Criação. Onde os instrumentos entram de 1 em
1 sugerindo a criação. Podemos definir aqui como um germe do poema
sinfônico, gênero que irá se desabrochar mais a frente de seu
tempo.
W. A. MOZART ( 1756
– 1791 )
Johannes
Chrysostomus Wolfgang Gottilieb nasceu em Salzburg e viria a ter nada
mais nada menos do que 626 obras públicadas durante 30 anos de vida
composicional. Mozart viveu 35 anos e escreve desde os 5, isso daria
uma obra de grande estensão escrita a cada duas semanas.
È inegável o dom
criativo que o garoto prodígio demonstrou e isso foi sucesso na
Europa. Mozart viajou em verdadeiras turnês, junto ao pai, mostrando
seus talentos como violinista, cravista e futuramente pianista. Se
tornou mestre na escrita de óperas italiana e escreveu obras
fantásticas como Don Giovanni e Cosi Fan Tutti.
Mozart escrevia
música como uma criança que faz rabiscos da família, era como se
as musas realmente soprassem ao seus ouvidos e sua produção foi
incrível! Mas esse estilo de vida “malandro”, alegre e
despreocupado o trouxe problemas como dívidas e a frustração
familiar. Mozart fica doente e morre em 1791 sendo enterrado como
indigente em vala comum.
L. V. BEETHOVEN (
1770 – 1827 )
Um dos primeiros
nomes que nos surgem a cabeça quando falamos de musica clássica é
o de Beethoven. Famoso por ficar surdo na última fase de sua vida e
por sua dificuldade de socializar. Claro que a surdez influenciou
muito para o seu status de solidão e introspectividade na sua música, mas Beethoven apresenta como
sendo a revolução em pessoa até antes de saber da possível
patologia. Suas primeiras obras se encontram num nível de
virtuosismo e independência já novos para a música. È comum
separar a obra de Beethoven em 3 fases, a primeira que vai até 1802
– que seria a fase Clássica, onde o compositor ainda assimila a
linguagem musical de seu tempo e vai descobrindo seu caminho. A
segunda fase que vai até cerca de 1816 onde ele desenvolve a sua
independência e a terceira, e última, fase em que sua obra se torna
mais meditativa e introspectiva.
Uma passagem
interessante é um encontro entre Mozart e Beethoven em Viena, no ano
de 1787 que até hoje permanece um mistério ou é floreado. Um
biógrafo de Mozart - Otto Jahn- descreve o momento.
“ Beethoven foi
levado à casa de Mozart e, a seu pedido, lhe tocou algo que Mozart,
julgando ser uma peça de virtuosismo preparada para a ocasião,
aprovou bastante friamente. Tendo percebido isso, Beethoven pediu a
Mozart para lhe dar um tema sobre o qual improvisar. Como tinha o
hábito de tocar admiravelmente quanto tinha essa disposição, e
estimulado pela presença do mestre por quem tinha um respeito tão
grande, ele tocou de tal maneira que Mozart, cuja atenção e o
interesse aumentavam, acabou por dirigir à peça vizinha onde
estavam alguns amigos e lhes disse: “prestem atenção nesse rapaz,
um dia seu nome será reconhecido mundialmente.”
Mistério ou não,
floreios ou não, esses assuntos sempre nos deixam curiosos a
investigar.
Beethoven era um
improvisador de mão cheia, não escrevia com a rapidez e agilidade
de produção como Mozart, mas sem dúvidas suas obras traziam sempre
um teor de inovação, podendo ser considerado como o ultimo dos
Classicistas e o primeiro Romântico de verdade que levou o tonalismo
ao limite.
Agora que conhecemos um pouco sobre esses monumentos da música ocidental, vou dipor a vocês uma tabela com a quantidade de obras nos gêneros mais famosos do Classicismo e vamos abrir uma discussão sobre o que esses números querem dizer.
È facil de perceber o declínio em quantidade de produção dos compositores cronológicamente falando. Mas temos que ter em conta o grau de evolução e independência que estão envolvidos. Haydn escreveu 104 sinfonias, Mozart 41 e Beethoven apenas 9, mas consideramos as sinfonias de Beethoven como marco da evolução em termos de escrita sinfônica. O que os primeiros tem em quantidade e racionalidade, Beethoven tem em inovação e expressão dos sentimentos. Como se costuma dizer, Mozart escrevia uma Sinfonia antes de jantar e depois ia jogar sinuca com os amigos, Beethoven germinava as ideias em seu caderno, escrevia e reescrevia minuciosamente até ficar satisfeito com o resultado e por isso, apesar da produção menor, é considerado um divisor de águas. Obrigado e até o próximo!!
Tive a honra de ter como professor de Análise musical, o Dr
Roberto Saltini, um professor fenomenal, que tem uma didática bem
humorada e cotidiana que ajuda na compreensão de qualquer assunto em
relação a música. Saltini veio a ser o orientador do meu projeto
de pesquisa, o qual falarei mais adiante no blog, que abrange a
teoria diatônica recente a favor do ensino elementar de música hoje
em dia. Garanto que apesar de tudo, é muito divertido! E por que
estou falando desse professor agora ? Porque ele me deu a definição
mais louvável do que é forma e gênero na música. Ele define forma
como “jeitão” de construir e organizar as ideias musicais e
gênero como “o que é essa obra?” como se fosse organizá-las numa prateleira de CDs. Simples assim e já se vão
emboras dúvidas se Fuga é gênero ou forma, o que é Sonata e forma
sonata e etc. Pois bem, nesse post vou colocar a vocês vários
tipos de formas e gêneros, com uma breve definição de cada. Fica
para um próximo texto as definições, curiosidades e porquês de
cada um dos temas abordados. Neste momento o importante vai ser a
diferenciação. VAMOS LÀ!
Um compositor procura sempre prender a atenção e favorecer a
memorização de sua obra na mente dos ouvintes, além de criar um
universo encantador por trás das notas musicais. Esse universo é
criado por dois fatores presentes em qualquer obra de renome:
REPETIÇÃO E CONTRASTE.
“È necessário alguma repetição das ideias musicais para dar
certa unidade à peça – para melhor articular a
composição(...)Essas repetições devem ser encaradas como pontos de
referência que servem para orientar-nos durante a peça.”
(BENNETT, 1988)
Parágrafo claro que nos ilumina sobre a importância da
repetição, agora, e sobre o contraste ? O contraste pode ser
definido por alterações de tonalidade, instrumentação e dinâmica.
Podemos repetir uma frase em outro tom ou com outros instrumentos e
já temos um contraste bacana. Podemos gerar contraste mudando tudo e
temos uma seção B da música. Percebem a relação da repetição e
contraste ? Totalmente ligados.
E assim podemos definir como forma musical aqueles elementos que
vão trabalhar as repetições e contrastes dentro da composição. O
“Jeitão” de se escrever música. Temos como relevantes formas
musicais: Forma Binária; Forma Ternária; Rondó e Tema com
variações. O baixo ostinato, muito presente na música do período
Clássico, é um exemplo de forma também. Vamos experimentar a
escuta formal de uma música ?
- Haendel (1685 - 1750) : “La Réjouissance” de Music for the Royal
Fireworks ( Música para os fogos de artificios reais)
Para entrarmos num acordo aqui é preciso separar a música em
algumas seções que se repetem.
Em minutos:
Parte A: 0:00 – 0:16 Repetição: 0:17 – 0:32
Parte B: 0:33 - 0:52 Repetição: 0:53 – 1:13
Parte A e B sem repetição: 1:14 – fim
Como a música contém duas partes bem distintas, usamos o nome
de Forma Binária para a sua composição. È importante notar os
contrastes tanto entre as partes como entre as repetições.
Instrumentação e dinâmica são a chave para criar contraste e
manter viva a energia da peça. E se quisermos definir essa obra
dentro de um Gênero? Bom, ela seria uma Dança Barroca dentro de uma
Suíte, um aglomerado de danças.
Pois bem, terminada a definição sobre o que é forma, vamos
partir para os gêneros. Vamos olhar no dicionário, por que às
vezes é interessante! (Risos). Gênero: Assunto ou natureza comum a
diversas produções artísticas ou literárias. Removendo as
definições sobre biologia, esta é a que nos importa para o
assunto. Se gênero está ligado à produção, ou seja, ao produto
final, logo não faz parte do processo de construção. Já matamos a
dúvida entre Sonata e forma Sonata. A Sonata é gênero, que nasce
no período Barroco, como a Cantata fazia ao canto, a Sonata fez aos instrumentos de soar mais o acompanhamento harmônico.
A forma sonata, implícita no nome, é uma forma, ou seja, jeitão
de se escrever. As sonatas que continham 4 movimentos, passam a ter
alguns deles escritos em forma sonata, que sugere um esquema de
construção, divisão e elaboração deles. Nada a ver com a Sonata
gênero. E o exemplo da Fuga ? Essa é interessante porque ela pode
ser os dois! Existe a Fuga tradicional, de Bach, com todos os seus
episódios e sujeitos e também temos Fuga presente em algumas
passagens de obras aleatórias, esses trechos são chamados de:
Fugato. Momentos que sugerem imitação e pequenos sujeitos que logo
retornam a textura convencional.
Outros grandes exemplos de Gênero são as Sinfonias, o Concerto,
as Óperas, o Poema Sinfônico e etc. Eles podem ser construídos a
partir de vários sistemas formais citados antes, claro que existem
algumas convenções como usar a Forma Sonata em primeiros movimentos
de Sinfonias Clássicas, mas o importante aqui é distinguir.
Definição do que é forma sonata, concerto, fugato e etc, serão
temas de próximos posts, que terão exemplos auditivos e visuais
(partituras) para análise. Espero que já tenha aliviado um pouco as
dúvidas e nos vemos no próximo! Obrigado!
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS:
BENNETT, Roy - Forma e estrutura na Música, Rio de Janeiro, Editora Jorge Zahar 1988, tradução de Luiz Carlos Csëko.
BENNETT, Roy - Elementos Básicos da Música, tradução, Maria Teresa de Resende Costa, Rio de Janeiro, Editora Jorge Zahar 1990.
BOWEN, Hannah - The Complete Classical Music Guide, Dk Publishing, New York 2012
Dicionário completo da Língua Portuguesa, Editora Publifolha 2000 - São Paulo